O FUNERAL. PARTE 1

Eu tinha meus 16 anos quando consegui assimilar que a vida não é do jeito que a gente pensa. Nem sempre podemos escolher “o que é certo ou errado” pelo fato de talvez sempre estarmos errados. Eu sempre comecei a sentir a vida não como uma dádiva do destino, mais como uma prisão que nos deixa sujeito a errar constantemente.
Foi naquele “funeral do meu vô” que pude perceber isso. Falei claramente com ele que estava do meu lado enquanto pessoas choravam naquele caixão, implorando para voltar. Eu, Richard, ouvia, sentia o cheiro da pessoa morta que estava sendo velada. Pude perceber que os mortos falavam comigo a partir daquele dia. Jamais esquecerei desse velório, mas também, não vou me submeter a chorar pois meu vô Carlos se foi, não para longe mais para bem perto do que você. É difícil para outras pessoas entenderem sobre a morte, isto por que elas não conseguem enxergar o que eu estava enxergando.
Eu era tão novo e já falava com mortos. Eu me via, como um “novo ser humano” me observava como uma “chave ” para este mundo. É como se todos que morressem viessem falar comigo. Você pode estar pensando,”ah, típico, já vi este filme” mas não; Não é o que pensam nem o que imaginam. A morte não é um segredo, só é viver num mundo paralelo, diferente desse. “Flores ,azul, mares etc.” isso tudo é imaginação para uma paz em que todos querem ter depois da morte. Só que na verdade quando deixamos nosso corpo, nos submetemos a viver em um local cheio de árvores sem folhas, sem água, sem comidas. Apenas sujeitos a andar, vagar como preferir dizer.
[CONTINUA…]
Compartilhar Google Plus

Autor Dimensão Medo

    Blogger Comentario
    Facebook Comentario

0 comentários:

Postar um comentário

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial