As criaturas na Neblina

O relato é um tanto longo, mas vale a pena lê-lo por inteiro.
Tudo aconteceu em uma viagem de duas semanas que eu fiz com a minha família.
Era inverno e nós tínhamos ido para uma casa que é dos meus avós, no interior de são Paulo.
Fomos eu, um primo, meus pais, um tio e uma tia.
Não era uma casa muito grande, mas o terreno era enorme.
Era uma casa embrenhada no meio do mato, só que lá não tinha nada para fazer.
A cidade ficava longe e não tinha nenhuma casa vizinha.
A única coisa que tinha era um riacho que dava para nadar (se você não ligasse para a água que estava gelada) e nem televisão tinha.
A nossa maior diversão era uma bola de futebol.
Eu e o meu primo estávamos com a mente bem ociosa, e o tempo que a gente não tava jogando bola estávamos conversando besteira, e não demorou muito para as histórias de fantasma aparecerem.
Nós ficamos um tempão vendo quem ficava mais assustado.
De noite a gente pegava pesado nas histórias, mas depois de dois dias já não conseguíamos nos assustar mais.
Na metade da viajem os adultos já estavam de saco cheio de ficar lá parados o tempo todo também e resolveram sair para a cidade.
Eu e o meu primo não estávamos com saco pra fazer turismo, então ficamos na casa mesmo.
Como éramos dois moleques de 16 e 17 anos, eles não viram problema nenhum em nos deixar sozinhos.Clique em Mais Informaçoes e leia mais

Quando anoiteceu eles saíram e nós ficamos lá jogando baralho.
O tempo foi passando e a temperatura abaixando e uma neblina forte baixou na região.
Mas a neblina estava tão forte que não dava pra ver nada que estivesse a vinte metros da casa.
Eu fiz um comentário meio besta sobre a neblina do tipo: "É, é numa neblina dessa que o capeta aparece".
Pronto, o meu primo esqueceu do baralho foi pra janela e começou a me encher o saco:
- Eu duvido você ir lá fora!
- Ah cara, não enche, eu não vou sair nesse frio!.
E a conversa foi mais ou menos essa pela próxima meia hora, ele me enchendo o saco para sair e eu com nem um pouco de vontade de sair lá fora. Até que ele falou:
- Cara, eu acho que vi algo lá fora!.
Como isso era a coisa que ele mais falava desde que a gente começou a falar sobre fantasma, eu nem liguei, mas ele insistiu.
- Cara, é sério, eu vi alguma coisa lá fora!
- Meu, não enche, você ta falando isso faz quatro dias direto, porquê acha que eu vou acreditar agora?.
E ai eu olhei pra cara dele, e ele estava com uma expressão meio confusa. Eu falei:
- Que foi que você tá com essa cara de bunda?
- Eu to falando sério cara, eu vi alguma coisa lá fora!
Aí eu comecei a ficar com aquela sensação de que a coisa era mais séria do que parecia.
A minha primeira reação foi sair correndo pela casa e trancar as portas e janelas.
Quando eu tranquei a porta da cozinha ele berrou da sala falando que tinha visto de novo.
Eu sai correndo e fui pra janela ver se via algo também.
Meu primo já estava meio assustado e tava explicando que tinha visto já alguma coisa lá fora quatro vezes e tava apontando onde tinha visto.
Só que não dava pra ver quase nada por causa da neblina, e a única luz que tinha lá fora, a da varanda, estava queimada.
A gente ficou olhando pelas janelas da casa por mais uns dez minutos sem ver mais nada.
De repente ele me solta um berro e eu saio correndo pra ver o que era, e encontro ele apontando desesperado lá pra fora.
- Ali! Ali! Eu to vendo agora! Olha lá!
Eu olho o que ele estava apontando e o que tem lá? EXATAMENTE! A BOLA!
- Ô sua besta, aquilo é a bola!
- Eu sei que é a bola, mas ela não tava lá! Ela rolou pra lá da neblina!
Ai eu comecei a pensar o que podia ser, e eu vi que a gente precisava se acalmar e pensar racionalmente um pouco. Eu falei pra ele:
- Olha, provavelmente deve ser algum bicho, cachorro, gato, porco do mato. Deve ser algum bicho que está brincando com a bola.
Ele parou pensou um pouco e eu não sei se ele acreditou ou se ele quis acreditar.
- É mesmo, deve ser algum bicho, né?
No que nós dois aceitamos isso a gente se acalmou um pouco e começamos a tirar sarro um do outro.
- É o demônio que ta lá fora, ele vai te pegar!
- É o saci pererê que vai te puxar o pé hoje a noite!
E com isso a gente se acalmou bastante. Foi quando a eu lembrei da bola.
- Acho melhor a gente pegar a bola, se for algum cachorro provavelmente vai sumir com ela e acabou uma das únicas coisas que a gente tem pra fazer aqui.
Ele olhou pra mim com um sorriso que ia de orelha até orelha:
- Então vai lá pegar!
Eu olhei pra ele, olhei pra bola, olhei pra ele de novo, olhei a bola sozinha lá fora, olhei pela janela não vi nada.
- Eu vou, você que é um bunda fica ai choramingando na janela.
Eu abri a porta e sai. Fui andando até a bola olhando pros lados na maior atenção.
Só sentia aquele frio na espinha. Eu cheguei na bola, peguei ela e quando ia virar pra voltar eu ouvi uma espécie de chiado.
Quando eu olhei na direção do barulho vi uma coisa que parecia estar abaixada em quatro patas.
Eu pensei "gato filho da p... Vai assustar a tua avó".
Quando eu ia virar pra ir embora, aquilo levantou e ficou em pé nas duas "patas" de trás, olhou pra mim se curvou um pouco como se fosse pular em cima de mim e soltou um gemido meio estranho.
Eu taquei a bola com tudo naquilo e sai correndo o mais rápido que eu pude para a casa.
No que eu estava na metade do caminho eu comecei a ouvir aquilo correndo atrás de mim, e parecia que tinha mais dois vindo pelo lado. Eu entrei correndo na casa sem olhar pra trás e bati a porta com tudo.
De repente eu ouço três batidas na porta, como se alguma coisa tivesse batido nela.
Eu tranquei a porta e fui pro outro canto da sala. Eu olhei pro meu primo e falei:
- O que foi que bateu na porta? O que foi que bateu na porta?
- Sei lá cara, você se jogou pra dentro eu olhei pra você, não vi o que foi que bateu na porta. O que aconteceu?
Ele olhou pela janela e deu um berro e pulou pra longe da janela.
No que ele fez isso a gente correu pro quarto, trancou a porta e ficou longe da janela (que já estava fechada). Ele virou pra mim e falou:
- O que era aquilo?
Eu olhei pra cara dele e não conseguia falar.
No resto da noite a gente ficou quieto. Ele não falou mais nada, e nem eu.
Quando os adultos chegaram a gente já estava dormindo.
No dia seguinte a gente não falou nada pra eles.
Quando eu saí eu vi a bola murcha do outro lado da casa.
Quando eu peguei ela, tava toda rasgada e tava fedendo muito.
Tava com cheiro de carniça. Eu mostrei a bola pro meu primo.
Ele perguntou o que tinha acontecido comigo lá fora na noite anterior e eu falei.
Então eu perguntei o que ele viu na janela depois que eu entrei.
Ele falou que lá fora tava meio escuro e não tinha dado pra ver nada direito, mas ele falou que viu duas coisas na frente da porta e uma já virando a esquina da casa indo pra lateral.
Das que tinham ficado na porta uma tava tentando empurrar a porta e a outra olhou pra ele e mostrou os dentes.
Eram todos tortos, pareciam que estavam podres, e aquela coisa parecia um homem pequeno, mas com uma cabeça meio desproporcional ao corpo, um pouco maior, e era meio marrom.
Depois que ele viu o bicho ele berrou e pulou pra longe da janela.
Nós não falamos pra ninguém o que tinha acontecido, porque ninguém ia acreditar mesmo.
A bola eu joguei no meio do mato depois, nunca mais vi ela.
O resto da viagem a gente não desgrudou dos nossos pais e sempre que começava a ficar escuro a gente entrava.
Depois que fomos embora a gente nunca mais quis voltar pra lá.
Nas outras noites a gente não viu nada lá fora. Não sei o que era aquilo, mas será que eles aparecem só com a neblina?

Compartilhar Google Plus

Autor sadSushi

    Blogger Comentario
    Facebook Comentario

0 comentários:

Postar um comentário

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial